Sempre fui assim, acho que é tarde demais pra deixar de ser. Ou não.
Quando eu era pequena e lançavam um brinquedo novo no mercado, eu não me interessava logo de cara. Pelo contrário, “namorava” a brincadeira até ganhar o tal brinquedo. Aí, geralmente, ou as crianças já não brincavam mais com aquilo, ou já nem tinha pra vender... Mas, isso não tirava o gosto da brincadeira, nem que fosse particular.
Até hoje, isso acontece. Com roupas, sapatos, bolsas, pessoas, sentimentos... Por exemplo, vejo uma sandália de verão e fico enrolando, enrolando... até a próxima estação. Quando chego na loja, adivinha? Não tem mais, ou não tem meu número, o que acaba dando na mesma. O problema é que na próxima estação, aquele objeto de desejo não vai ser moda e outros objetos virão... à tornar-se alcançados tarde demais.
Já me acostumei com esse (talvez) único lado calmo da minha vida: o de “ter”. Tenho paciência tarde demais, tenho confiança tarde demais, tenho vontades e medos... Tudo tarde demais. Às vezes, quando descubro que em alguma situação eu queria tanto alguma coisa, pode ter certeza que já passou da hora certa.
Assim, vou levando. Até tento ser imediatista, mas rola uma catástrofe interior. Talvez, o meu tempo certo seja meio depois da hora mesmo.
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